PSP justifica detenções com actos de vandalismo
"Actos de vandalismo" e "agressões a elementos da autoridade" são as razões pelas quais a PSP deteve ontem 11 pessoas que participavam numa manifestação antifascista considerada ilegal, no Chiado. Os jovens responderam hoje no Tribunal de Instrução Criminal.
26 de Abri: As comemorações do Dia da Liberdade ficaram manchadas pela detenção de onze jovens acusados de participação em manifestação ilegal, que passaram a noite nos calabouços da polícia, antes de serem ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal.
Cinco agentes e dois manifestantes tiveram de receber assistência hospitalar, na sequência dos confrontos registados, segundo dados da PSP, que corrigiu o número de detidos: 11 e não 12, conforme foi noticiado pela Imprensa. Durante esta operação, as forças de segurança apreenderam três cocktails molotov, 26 barras de ferro e 21 paus de madeira.
Ainda segundo a PSP, "extremistas com simbologia anarco-libertária partiram montras, roubaram mercadorias de lojas e pintaram graffitis nas paredes". O corpo de intervenção agiu no momento em que o grupo de jovens se dirigiu para as imediações do Partido Nacional Renovador (PNR), gritando palavras de ordem contra os ideais nacionalistas.
Aliás, várias manifestações de grupos antifascistas e antiglobalização ocorreram ontem, na Baixa de Lisboa, tendo-se verificado alguns desacatos nas proximidades da sede do PNR, na Rua da Prata, e da antiga sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso.
"A Polícia pediu-nos que não saíssemos do prédio e que fechássemos as janelas, para que nada pudesse ser arremessado do exterior e para que não houvesse qualquer acto entendido como provocação da nossa parte", contou José Henriques, da Direcção do PNR.
A advogada dos acusados refere que nenhum deles pertence a qualquer movimento de extrema-esquerda. Os jovens participavam numa marcha pela Liberdade, decidindo gritar palavras contra o racismo.
Na Rua do Chiado, um grupo de pessoas ligadas ao movimento cívico 'Não Apaguem a Memória' tentou concentrar-se junto à antiga sede da PIDE, obrigando a fechar a rua ao trânsito. Os detidos denunciaram carga policial, brutalidade, e recusaram-se a aceitar as detenções. A PSP prestará declarações hoje.
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