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Genética evita cancro da mama e ovário mas gera polémica

A primeira criança geneticamente alterada para evitar que padeça do cancro da mama e de ovário nasceu em Londres. A operação reavivou o movimento que crítica tratamentos de embriões humanos, contra a criação de bebés por encomenda.

A bebé que recebeu um tratamento genético para evitar que transporte uma versão modificada do gene BRCA1 - responsável por um aumento de 80 por cento da incidência de cancro da mama e do ovário - nasceu em Londres nesta sexta-feira, no hospital da University College.

Através da fertilização in vitro, foram gerados e seleccionados embriões, dos quais se seleccionou aquele que não apresentava a versão maligna do gene, que poderia provocar cancro.

Os pais decidiram recorrer a este tipo de fertilização porque existem na família diversos casos de cancro na mama: avó materna, mãe e irmã do marido padeceram deste problema.

Desta forma, os pais da menina inglesa evitaram também um eventual aborto, caso a propensão para a doença pudesse ser detectada durante o período de gestação.

"A menina não deverá enfrentar o espectro desta variante genética de cancro da mama, ou de ovários, quando for adulta", explicou o médico responsável pelo parto, Paul Serhal, do University College of London.

É a primeira criança com modificações genéticas, em resultado de uma opção dos pais, o que fez regressar à actualidade a discussão sobre este tipo de opções por parte de pais e médicos.

A alteração de embriões humanos, segundo os seus críticos, pode fomentar o fenómeno de “bebés à medida”, com as características genéticas definidas ao gosto dos pais.

O diagnóstico de pré-implante está proibido em diversos países, como Alemanha, Itália, Suíça e Áustria. Bélgica, Dinamarca, Espanha e Grã-Bretanha desenvolve o tratamento, enquanto França apenas o permite em caso de doença genética incurável.

"Esta técnica é apenas um meio de impedir que nasçam pessoas que possam sofrer desta doença", contrapõe Josephine Quintavalle, uma das fundadoras da organização Comment on Reproductive Ethics.


© Ciberjunta


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