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Cavaco não se resigna com orgulho de Sócrates
No discurso das comemorações do Dia de Portugal, o Presidente da República contrariou o discurso optimista que o primeiro-ministro vem adoptando, perante "fracos níveis de desenvolvimento económico", segundo Cavaco Silva. "Não me resigno", disse.
10 de Junho: Será pouco rigoroso transformar o discurso de Cavaco Silva num recado ao Governo, mas a verdade é que o Presidente da República deixou escapar uma frase que deve ser sublinhada: "Não me resigno perante fracos níveis crescimento económico".
Hoje, na sessão solene do Dia de Portugal, que decorreu em Setúbal, Cavaco acabou por ser enigmático. Por um lado, falou para os portugueses, incitando-os a um "inconformismo" que o próprio vai alimentar. Porém, ao mesmo tempo, dirigiu-se ao Governo - é rigoroso que se retire esta conclusão -, porque o seu discurso versou Portugal e o futuro.
Enquanto José Sócrates vem transmitindo a mensagem de resignação perante indicadores económicos de ligeiras melhorias na economia nacional, o Presidente da República afirma que não se conforma "perante fracos níveis de desenvolvimento".
"Não me resigno perante o abandono escolar, a pobreza e exclusão social das famílias, a escassa dimensão das componentes científica e tecnológica do aparelho produtivo, a passividade e os indicadores persistentes do atraso português em relação aos seus parceiros europeus", referiu o Presidente da República, com Sócrates a poucos metros.
No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, não surgiu o primeiro sinal de visões distintas de Cavaco e Sócrates sobre o futuro, mas pôde ouvir-se um discurso oposto do Presidente da República, relativamente às palavras recentes do primeiro-ministro. De um lado, a satisfação pelo crescimento económico; do outro, o inconformismo perante os mesmos dados.