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Cavaco "sensibilizado" com pobreza e usurpação da democracia na Madeira

Presidente da República manifesta-se "sensibilizado" com as críticas do PS, que acusa Alberto João Jardim de "usurpar o regime democrático", e do PCP, que entregou a Cavaco Silva um mapa da pobreza na Madeira.

O Presidente da República esteve reunido em audiência com os líderes das delegações do Partido Socialista e do Partido Comunista Português na Região Autónoma da Madeira.

Cavaco Silva manifestou-se mais uma vez preocupado em reagir com bom senso, evitando polémicas. Depois de ouvir as posições dos dois partidos da oposição na Madeira, o chefe de Estado falou à Imprensa, escolhendo a palavra certa para evitar a polémica.

"Fico sempre sensibilizado quando ouço as diferentes opiniões que me são transmitidas. Mas tenho de manter o direito de reserva, em relação a muitas matérias, para poder ser eficaz", afirmou, à saída do hotel onde decorreu o encontro.

O presidente do PS-Madeira, João Carlos Gouveia, expressou a sua inquietação pelo facto de, segundo o próprio, existir na Madeira uma "usurpação do regime democrático", levada a cabo por Alberto João Jardim, chefe do Governo Regional.

"Existe uma desproporção entre os meios do PSD e aqueles de que a oposição dispõe, o que provoca a perpetuação do poder de Alberto João Jardim", defendeu João Carlos Gouveia.

O socialista fez um apelo "à magistratura da influência" de Cavaco Silva, para que o "défice democrático na região e a falta de liberdade dos madeirenses sejam banidos".

Já o PCP-Madeira, liderado por Edgar Silva, preferiu abordar a problemática da sobre a territorialidade da pobreza, sustentando a sua intervenção num estudo realizado pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Europa.

Essa pesquisa foi entregue ao Presidente da República que pôde verificar que a Madeira possui níveis de pobreza "muito acima da média nacional", sendo que há mais de 83 mil pobres.

Estes números representam "34 por cento de risco de pobreza monetária, uma das taxas mais elevadas do País". Perante estes factos, Cavaco Silva reage: "Ouço sempre com atenção os meus interlocutores. É útil perceber diferentes pontos de vista".

© Ciberjunta
PRESIDENTE DA REPÚBLICA