Estudo realizado na Casa de Saúde do Bom Jesus, em Braga, alerta para o impacto do consumo de substâncias psicoactivas e comprova a sua ligação a diversas perturbações psiquiátricas.
A Casa de Saúde do Bom Jesus, Unidade de Desabituação de São Luís, levou a cabo um estudo, que permite perceber quais as doenças mentais mais associadas ao consumo de drogas.
Os autores da pesquisa “O Problema da Comorbilidade”, Catarina Iglésias e António Palha, procuraram alertar para o impacto do consumo de drogas e de como esse tipo de comportamento pode estar ligado ao desenvolvimento de determinadas doenças psiquiátricas.
“A comorbilidade é definida como a co-ocorrência, no mesmo indivíduo, de uma disfunção por consumo de substâncias psicoactivas e uma outra perturbação psiquiátrica. Procurámos perceber que tipo de dependência apresentavam as pessoas internadas nesta Unidade de Saúde e como isso pode estar ligado a patologias como a doença bipolar, a ansiedade ou a esquizofrenia”, explicam.
“Este estudo tem como objectivo caracterizar os doentes internados nesta unidade, uma vez que as pessoas com doença mental severa estão em maior risco de desenvolver uma perturbação pela utilização de substâncias do que a população em geral”, referem.
A investigação, desenvolvida entre 2004 e 2009, incide sobre 162 doentes e verifica-se que 72 dos internados apresentam depressão, 46 revelam esquizofrenia e 20 apresentam perturbação da personalidade, entre outras doenças psiquiátricas.
No que respeita às dependências, 67 apresentam dependência de heroína, 31 dependência de cocaína e heroína, 16 dependência de álcool e heroína, 15 dependência de álcool e 10 apresentam dependência de heroína, cocaína e álcool.
Catarina Iglésias é médica psiquiatra na Casa de Saúde do Bom Jesus, Unidade de Desabituação de São Luís. António Palha é vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, director do serviço de Psiquiatria e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Hospital de S. João.
A amostra é constituída por 162 sujeitos, dos quais 115 do sexo masculino e 47 do sexo feminino, sendo que a média de idade é 36 anos. O número médio de anos de consumo de substâncias é de 15,5 e a idade média de início dos consumos é 20 anos. O início dos consumos dá-se aos 8 anos e a idade máxima aos 57.
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