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FERNANDO ANDRADE
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FALTAM EQUIPAMENTOS
"Centro de Saúde e segurança
são prioridades para Canidelo"

O presidente da Junta de Canidelo, Fernando Andrade, cumpre o segundo mandato, já tem importantes vitórias no exercício das suas funções, mas está concentrado na concretização de projectos fundamentais para uma freguesia que não pára de crescer. O autarca admite ter alguns problemas graves para resolver, nas áreas da saúde e segurança. Por isso, pretende ver o Centro de Saúde construído e um reforço policial. O complexo desportivo do Canidelo, para servir o clube que disputa a Divisão de Honra da AF Porto, é igualmente uma meta para este mandato, além da requalificação da rede viária, que aguarda por verbas antecipadas provenientes da EDP, prometidas pela Câmara Municipal de Gaia. São 980 mil euros que vão beneficiar as artérias canidelenses.
Qual é a grande obra do mandato?
Este executivo tem várias obras para concretizar. O Complexo Desportivo de Canidelo, cujo concurso para o arrelvamento, iluminação e balneários terminou no dia 30 de Setembro, o Centro de Saúde, o Polis, a requalificação viária da freguesia e estamos a apoiar a Associação de Solidariedade Social na construção de um lar. O apoio domiciliário está a funcionar através da Cruz Vermelha e estamos na fase final para obtermos o Certificado de Qualidade. O inquérito de rua já arrancou... E ainda só está completo um ano de mandato. Portanto, penso que em 2009 temos tudo concluído.

Perante as limitações financeiras que as Juntas de Freguesia enfrentam, acha que vai conseguir os seus objectivos?
É claro que nós não sabemos bem o que vai acontecer relativamente às Finanças Locais, mas mais prejudicados do que temos sido é impossível. Desde 2002, temos vindo a receber muito menos do que as necessidades. O nosso crescimento foi para além do valor máximo previsto no orçamento e isso tem-nos retirado algumas verbas.

Com a nova Lei das Finanças Locais, o apoio do Estado vai diminuir. Sente falta desse apoio do Estado?
As Juntas recebem em função de três parâmetros: Censos, área e uma verba igual para todas as autarquias. Nos Censos, em relação ao anterior levantamento, há 10 anos, dobrámos a população, mas no orçamento de Estado está previsto que não pode haver um crescimento para além dos 3,9 por cento. Por isso, deixámos de ser compensados pelo crescimento excedentário. Segundo os Censos de 2001, temos cerca de 23 mil habitantes, mas na realidade estamos perto dos 40 mil. Todos os dias temos pessoas a recensear-se e estamos perto dos 20 mil recenseados.

Na população das classes mais desprotegidas, quais os problemas mais graves?
O bairro social traz sempre alguns problemas de ordem social, porque as pessoas são realojadas sem primeiro fazer uma formação. Esses habitantes realojados viviam em ilhas e barracas aqui na freguesia e hoje já dispõem de melhores condições. Canidelo tem alguns problemas de indisciplina nas escolas, fruto dessa população, e enfrenta também o problema da droga. Aliás, até estou a aguardar uma reunião com a governadora civil, porque quero resolver o problema da segurança na freguesia. A GNR também faz a cobertura da Madalena e não tem condições para estar sempre onde é preciso, porque são duas freguesias com problemas similares.

Perante o crescimento da freguesia, já se justifica ter um reforço nos meios de segurança?
Em tempos pensámos na PSP, mas eu penso que para a população tanto faz PSP ou GNR. O importante é haver um reforço nesse campo. No tempo do antigo governador, Manuel Moreira, estivemos para fazer a substituição da GNR pela PSP, mas actualmente não sei qual é o ponto da situação. Nós queremos é que o problema seja resolvido, com a GNR ou com a PSP.

Falámos do Centro de Saúde, um dos objectivos deste executivo. Isso quer dizer que a freguesia não tem equipamentos para aplicar políticas de saúde?
Não temos equipamentos necessários. Existe um centro médico, espécies de consultórios privados, com um acordo com a ARE, uma experiência, que também aconteceu noutras freguesias e quanto a nós muito errada, porque não abrange a população na sua totalidade.

Como é que a população ultrapassa essa carência?
Parte dela ainda está inscrita no Centro de Saúde de Barão do Corvo e o novo equipamento vai ser uma extensão desse centro. O Centro de Saúde de Barão do Corvo serve Santa Marinha, Afurada e Canidelo. Penso, contudo, que este novo centro vai resolver parte dos problemas da população. É evidente que não basta construí-lo. É preciso equipá-lo, contratar médicos... A nossa população tem muitos problemas, é também envelhecida.

Mas Canidelo é uma freguesia procurada pelos jovens...
E por isso ando tão preocupado com a falta de escolas. Há os extremos, os mais idosos e a juventude. Os estabelecimentos de ensino estão superlotados. A tendência é para crescer.

A construção de novos complexos habitacionais é inevitável.
Há vários projectos para avançar, porque o crescimento da população assim o exige. Em Canidelo vai-se vendendo... Todo o imóvel sai valorizado na freguesia.

A população de Canidelo é muito heterogénea.
Temos habitantes de todas as classes sociais. Alguma população com problemas graves de desemprego e trabalhamos muito nessa área, com um acordo com a UNIVA, para podermos solucionar alguns problemas.

Canidelo tem crescido de forma acentuada.
E é uma freguesia apetecível, assim como o concelho. Canidelo reflecte um pouco o crescimento do concelho. A modernização e requalificação de Gaia têm permitido uma canalização das pessoas para as freguesias. A orla marítima também é muito procurada.

   9 de Outubro: Fernando Andrade é um homem dedicado à sua terra. Nasceu no Porto, mas vive em Canidelo desde os sete anos de idade. Apaixonou-se por esta freguesia gaiense, dedicou-se à cultura, ao associativismo, ao desporto. É presidente da Associação Recreativa de Canidelo há 20 anos e já jogou futebol no clube da terra, o Canidelo. Transmite a imagem do político dedicado e tem projectos para concretizar, apesar das dificuldades, as que se vivem e as que se adivinham. Fernando Andrade traça metas ambiciosas para o segundo mandato na Junta de Canidelo.