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Metrossexualidade e alcoolismo em debate

A saúde no homem será debatida nas VIII Jornadas de Saúde do Centro de Saúde de Sacavém (Primeiras Jornadas Loures-Sacavém), no Hotel VIP Executive, em Santa Iria da Azóia, nos dias 20 e 21.

Na acção, especialistas abordarão o papel do pai do século XXI, a nova imagem do homem enquanto metrossexual e a doença mental no masculino, associada ao stress pós-traumático e alcoolismo.

Nos últimos tempos, acompanhando o desenvolvimento da sociedade, apareceram, no homem, várias tendências de afirmação de identidade, como a metrossexualidade.

A afectividade, o prazer e o culto do corpo são, hoje, reconhecidos e valorizados. "O corpo não é mais aquela entidade obscura, mas a sede da nossa existência", afirma Biscaia Fraga, do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

O porquê desta tendência estará em debate nas VIII Jornadas de Sacavém, nos próximos dias 20 e a 21, a partir das 21h00, no Hotel VIP Executive, em Santa Iria da Azóia, Loures.

O novo paradigma de pai também estará em foco. A sociedade actual impõe uma exigência sócio-profissional que afasta os pais da tarefa de educar os filhos. Ao longo de séculos, a sociedade atribuía ao pai o papel de sustentar a família e à mãe a cria dos filhos e cuidar da casa.

Com a emancipação feminina e a integração da mulher no mundo laboral, foram surgindo mudanças na dinâmica familiar, como a partilha de responsabilidades a nível do suporte financeiro. Paralelamente, o homem foi partilhando as tarefas e intervindo mais na vida do filho.

Para o segundo dia do evento, estarão em destaque várias patologias associadas ao homem, como a disfunção eréctil, o cancro da próstata, a roncopatia, a andropausa, e a doença mental no masculino. Sobre este último tema, serão abordadas três patologias muito frequentes: as demências, o alcoolismo, e o stress pós-traumático.

A incidência e prevalência dos vários tipos de demência são influenciadas pela perda da masculinidade. O stress pós-traumático está directamente associado à realidade lusa desde a guerra do Ultramar.

Num país que teve três frentes de guerra durante 14 anos, e por onde passaram milhares de combatentes, estima-se que entre 10 a 15 por cento dos ex-combatentes sofrem de stress pós-traumático. O alcoolismo está diluído no campo das dependências legais e proibidas.

A sua acessibilidade e fácil armazenamento conferem-lhe um cariz único. O uso de uma substância psico-activa, como o álcool, é um acto inicialmente voluntário, embora a persistência de respostas involuntárias a estímulos internos e externos propiciem a história natural do alcoolismo e as recaídas em dependentes após períodos de abstinência.

A recaída é, hoje, uma etapa desdramatizada do percurso do alcoólico. O drama, que assola muitas das nossas famílias, também será alvo de debate.
SANTA IRIA DA AZÓIA