Obesidade infantil aumenta e ataca cada vez mais cedo
Número de consultas de obesidade pediátrica aumenta em Portugal. Mais de metade das crianças com menos de 10 anos padecem de uma doença que ataca cada vez mais cedo. Pais não estão atentos ao fenómeno.
O Hospital Amadora-Sintra, em colaboração com o agrupamento escolar da Amadora, realizou um estudo sobre a incidência da obesidade infantil, apresentado no 26.º Encontro Nacional de Clínica Geral, em Vilamoura.
"Crianças com excesso de peso aparecem cada vez mais e com menos idade. A epidemia do século XXI alastra-se e é já a partir dos 2 anos que os pais começam a levar os filhos à consulta. No entanto, a média ronda os nove anos", refere Graciete Bragança, pediatra no Hospital Amadora-Sintra e responsável pelo estudo.
Dados indicam que 21 por cento das crianças avaliadas têm excesso de peso e 9,5 por cento são obesas. São os alunos do 1.º Ciclo os que apresentam um maior índice de gordura corporal.
O estudo revela ainda que 49 por cento das crianças com excesso de peso ou obesas tem joelho valgo (deformidade ortopédica que se caracteriza pelos joelhos curvados para dentro); 25 por cento são insulino-resistentes e 18 tem esteatose hepática (acumulação de gordura no fígado).
Denunciando o risco de persistência da obesidade na idade adulta, o estudo comprova que em crianças na fase pré-escolar a incidência em adulto é 26 a 41 por cento, sobe na idade escolar para uma prevalência de 42 a 63 por cento e na adolescência tem uma representação de 66 a 78 pontos percentuais.
Manuela Ambrósio, médica de família no Centro de Saúde do Entroncamento, afirma que, "a maiori dos pais não está atenta para o excesso de peso dos filhos. Em consultas de rotina, é o médico de família que identifica a situação. Em muitos casos, os pais menosprezam o problema e raramente respondem às recomendações médicas".
"O excesso de peso representa uma menor qualidade de vida para a criança que se cansa com facilidade, tem dificuldade em mexer-se e apresenta uma baixa auto-estima. Sensibilizar os pais para a prevenção e acção, reforçando as complicações futuras deste problema, é essencial!, conclui a médica de família.
A medicina baseada na evidência foi abordada no terceiro dia do 26.º Encontro Nacional de Clínica Geral. "A qualidade da prestação dos cuidados de saúde primários passa hoje pela objectividade e assertividade dos diagnósticos médicos", defende António Vaz Cordeiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência.
A medicina baseada na evidência (MBE) foi definida pelo próprio António Vaz Cordeiro como "uso criterioso da melhor evidência actual relativa à pesquisa clínica sobre o tratamento de doentes". Neste paradigma de prática clínica valorizam-se os estudos em detrimento do empirismo. No dia de encerramento do 26.º Encontro Nacional de Clínica Geral foi apresentado o Guia do Utente, um projecto-piloto, que permitrá juntar toda a documentação (cartão do utente, receituário, telefones, horários, conselhos, entre outros) numa só pasta.
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