Ordem dos Médicos teme objecção
por interesses económicos
Ordem dos Médicos teme que os clínicos que alegam objecção de consciência para não cumprir a lei do aborto sejam os mesmos que irão praticá-los no privado.
A Ordem dos Médicos quer saber se os médicos alegam objecção de consciência para abrirem as portas desta prática nas clínicas privadas, onde os próprios procederão a interrupções voluntárias da gravidez com grandes lucros.
Esta entidade quer evitar que se crie um negócio com o aborto, depois de um elevado número de hospitais ter negado essa prática. E porque os hospitais não estarão disponíveis e preparados para o fazer, as clínicas são a alternativa para o direito ao aborto.
Desse modo, a Ordem dos Médicos defende que se criem mecanismos de fiscalização, que permitem verificar se há médicos objectores de consciência a praticar interrupções voluntárias de gravidez nos hospitais e clínicas privadas.
A legislação que entra agora em vigor não impede esta situação, o que, segundo o bastonário Pedro Nunes, se afigura como "violação deontológica grave".
Porque os médicos se negam a praticar abortos, diversos hospitais e clínicas não poderão cumprir a lei, por falta de pessoal habilitado. Este facto abre as portas a um negócio aparentemente lucrativo, às custas das omissões da nova lei.